quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Cinza e o céu

Os pés arrastam-se mecânicamente um após o outro em meio a multidão. Não há riso. Não há brilho no olhar. Apenas pés se arrastando. Em volta não vejo sonhos, não vejo esperança. Vejo apenas pés se arrastando.

Experimento essa asfixiante sensação de estar preso numa gravura monocromática. Mas há um fio de céu em meio a esse cinza. Um fio de céu que tange de cor todo esse tédio, como se zombasse de mim. Ele me tenta...

Me tenta a quebrar todo esse tédio e viver como criança. A arrancar os incômodos sapatos e a correr de olhos fechados pela vida. Correr apenas para sentir o chão sob meus pés e o vento a tocar meu rosto. Correr sem saber porque nem para onde.

Ah, maldito céu que me tenta! Me tenta pois sabe que talvez só assim eu consiga me enganar... Sabe que apenas sendo criança, quando o fim chegar, eu talvez não perceba que nada disso existiu.

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